Erondina

Nasceu Maria de Jesus. 
Adotada, fizeram-na Floriano 
e quando do encontro com Luís, Kruscinski.

Cosia e cozia deliciosamente.
Sabia de abóboras. 
Fazia-as de todas as formas e espécies, considerando que engrossavam as coxas.

Deu-me a preferência pelo vermelho e a gula pelo pirão de feijão.

Meu corpo tremia de alegria ao vê-la chegando, de visita.
Embaixo do braço um peixe embrulhado em jornal 
e sonhos com recheio de goiabada.


Nutriu com ternura um fado trágico, 7 filhos vivos, viúva, pobre. 

Morreu jovem senhora, eu uma criança. 
De susto, desentendendo o evento, meu coração ficou seco.
Atenta, avisou em sonho minha mãe: dá água pra essa menina, Nega!

Saudade.


                                                                                                            


Anos depois minha amiga Lica alumiou o caminho de volta ao coração de Erondina.
Ensinou-me a receita do Pirão de Abóbora. 
Desta feita, tremi de alegria novamente.  
Elas riram, satisfeitas...


. Um tanto de abóbora . folhas de alfavaca anis ou anis-estrelado . 1 cebola picadinha . 1 ou 2 tomates picados . farinha de mandioca . salsinha 

A abóbora (com casca se for orgânica e fresca) pode ser cozida antecipadamente no vapor, acrescentando-se à água as folhas de alfavaca-anis ou anis-estrelado. 
Quando macia, coe e reserve a água aromatizada. Enquanto isso refogue a cebola e adicione os tomates. Misture a abóbora ao refogado.
Comece o feitio do pirão com a água aromatizada. Adicione água fervente e por fim a farinha de mandioca, aos poucos, até dar o ponto.