Dona Maria do vestidão

Contou-me a história de sua vida
através do olhar,
um ir e vir sem descanso,
poucas palavras.

Saiu do Maranhão muito jovem.
Na mala as lembrança das figuras de barro da infância

Gera da terra amazônica formas, mas não as coze.

Encantou-me, ainda, pelo colorido sobejado da casa,
um jardim desobediente:
tapetes, mantas e folhetos ateiam cores fortes na mansidão da floresta.

Na Br 319 descobrimo-nos,
irmãs de febre perdedeira.



Foto: Renato Rizzaro

Ofereci para dona Maria do vestidão o fubá, o cozimento da polenta que ela já conhecia de quando morou no Sul. Ela me ofereceu 2 ovos de galinha e uma janela que tinha como jardim a Amazônia.